As histórias do Estado de Minas e das pessoas se entrelaçam desde a tarde de terça-feira na exposição 80 anos Estado de Minas: artes da liberdade, linhas de vida, aberta em solenidade com as presenças do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT). Junto com o presidente do jornal, Álvaro Teixeira da Costa, e o diretor-geral e presidente da Fundação Assis Chateubriand, Édison Zenóbio, eles deslaçaram a fita de inauguração da mostra sobre oito décadas da memória de Minas, do Brasil e do mundo, contadas em vídeos, músicas e reproduções de páginas, no Museu Inimá de Paula, na Rua da Bahia, no Centro de Belo Horizonte. Na solenidade de abertura, Édison Zenóbio disse que “quando se visita a exposição, vemos diante dos olhos uma aula de história contemporânea”.
Com instrumentos interativos, curiosidade e criatividade dos visitantes, a mostra enfoca a relação do jornal com as pessoas, sejam leitores ou personagens que tiveram opiniões ou trajetórias impressas nas suas páginas. Representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário participaram da inauguração terça-feira, percorreram os três andares da exposição e embarcaram em uma verdadeira viagem no tempo, na qual o próprio visitante estava no comando.
“A exposição é uma oportunidade de se conhecerem um povo e sua trajetória nas páginas de sua mais importante publicação. A história do Estado de Minas se confunde com a nossa própria história”, disse o governador Aécio Neves, de 48 anos, pouco antes de lembrar que seu avô, o ex-presidente Tancredo Neves, foi secretário de redação na juventude. A manchete da morte de Tancredo foi a notícia mais triste que Aécio disse ter lido na publicação, da qual se diz leitor desde criança. A capa que o deixou mais feliz foi a que noticiou sua reeleição ao cargo de governador, em primeiro turno, com 77% dos votos válidos.
Jackson Romanelli/EM/D.A Press |
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 A diretora do museu Ana Tunes, o diretor-geral do EM, Édison Zenóbio, e o presidente do jornal, Álvaro Teixeira da Costa, na abertura da mostra |
O governador percorreu a exposição ao lado do prefeito e outras autoridades. Foi observado de longe pela faxineira Valéria Ferreira de Paula, de 27 anos, que diz ler rapidamente o jornal quando o encontra sobre a mesa de executivos em salas de prédios onde presta serviço, ou quando está afixado em bancas de jornal. “Não esqueço da explosão das torres gêmeas, aquela foto grande no jornal. Aquilo foi muito triste”, lembra. A guerra do terror também é lembrada pelo presidente do EM, Álvaro Teixeira da Costa, de 65 anos, mas sob outro contexto. Para ele, uma capa inesquecível do jornal estampa a imagem do presidente do Estados Unidos, George W. Bush, no velório do papa João Paulo II. “O encontro do Senhor da Guerra com o Peregrino da Paz”, resumiu Teixeira da Costa, que teve o próprio nascimento noticiado no jornal. Na época, o pai era diretor de redação.
O exemplar que destaca a chegada do papa João Paulo II a Belo Horizonte está guardado na memória do presidente da Assembléia Legislativa, Alberto Pinto Coelho, de 63. Bem como está guardada, mas com tristeza, a decretação do Ato Institucional nº 5, o AI-5, que restringiu as liberdades civis do país.
O prefeito Fernando Pimentel, de 57 anos, que guardava recortes do Estado de Minas quando era citado no periódico como líder estudantil, no fim da década de 1960, também considera o AI-5 o episódio que o deixou mais triste. Mas diz não se esquecer da manchete que comemorou a vitória do Brasil na Copa de 1958. Tinha apenas sete anos e estava aprendendo a ler. “O papel de um jornal é não apenas noticiar os fatos, mas também refletir sobre o seu tempo e seu povo. Acredito que o Estado de Minas faz isso muito bem”, disse o prefeito, enquanto passava ao lado do chefe dos garçons José Curvelano Moura, de 58, que guarda a capa que destacou o Atlético Mineiro como primeiro campeão brasileiro. “Com foto do Dario e do time todo”, lembra.
As histórias inesquecíveis do governador, do prefeito, da faxineira, do dono de jornal e do chefe de garçons estão na exposição 80 anos Estado de Minas: artes da liberdade, linhas da vida até 5 de dezembro. A sua história está lá também. A mostra funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.
Veja reportagem da TV Alterosa